quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Hoje a ponta cansada da minha caneta escreve num caderno com história, que comprei e personalizei quando descobri que gostava de escrever.
Li aqui, hoje, coisas que me dizem muito, que escrevi com o coração a saltar de alegria ou com as lágrimas nos olhos. Algumas que estão aqui no blog, outras que tinham de ficar entre mim e o papel.
Não sei porque voltei a pegar nele. Não me sinto capaz de escrever nada ao nível do que já escrevi neste caderno, porque não sinto.
Tenho saudades de sentir. De olhar para um folha branca e de saber exactamente que mal pegue na caneta o coração vai começar a escrever coisas.
Sinto saudades de sentir saudades. De não suportar um Adeus, porque um Adeus não é suportável, há sempre flores com raiz suficientemente forte (ou antes havia).
Sinto saudades de lutar simplesmente pelo prazer da luta. De estar aqui com um objectivo tão forte que, ainda que me cortem as pernas, me faça correr uma maratona. Tenho saudades de chegar ao fim do dia e agradecer as pequenas coisas que fizeram dele um dia meu.
Tenho saudades de ser capaz. De não me deixar perder no cansaço.
Tenho um bocadinho de saudades minhas.


É por estas e outras coisas que não tenho estado por cá. Mas enquanto houver estrada para andar...

domingo, 15 de novembro de 2009

Lutas em demasiadas frentes.
Não é bom para ti nem para os outros, que pensam que já não são importantes. Mas são. Estão na tabela das tuas mil importâncias, marcadas para cada hora da agenda.
Já não vês filmes, não ouves música, não vês as notícias e não olhas para os rostos que partilham o autocarro em que vais. Olhas para os olhos de uma pessoa e vês o que tens de fazer na hora a seguir, que é inadiável.
Queres agradar a todos e não te agradas a ti mesma.
Faltam-te os abraços que riscam o futuro e te fazem saborear o presente. Faltam-te os momentos de fusão com as palavras, aqueles em que deixas o coração falar e escreves Verdade.
Falta-te abrir um livro e sentir que os capítulos vão voar juntamente com o tempo.
Queres tirar os esquemas e as tabelas da cabeça, mas tem que dar para tudo, nem que seja à justa.
Depois, abdicas de obrigações só mesmo para estar com eles, e retribuem-te da melhor maneira possível.

A liberdade sabe a castanhas assadas e a brincadeiras de criança.

sábado, 14 de novembro de 2009

Gosto muito da pessoa que está aqui ao meu lado.

Há gente que não se contenta com post's de há semanas...

domingo, 8 de novembro de 2009

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Tenho saudades de achar que não ter nada para fazer é uma seca.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

No dia em que a Igreja for perfeita,


desisto dela.


Como me disseram há dias, "Quem corre por gosto cansa. Mas corre."

(Vamos correr, não vamos?)

sábado, 31 de outubro de 2009

Sara Tavares

Respira musicalidade e alma. Tem energia que chegue para si e para uma sala cheia de gente. O sorriso habita nela, não lhe dá férias. Às vezes parece que canta mais com o sorriso do que com a voz.
E é de uma humanidade incrível.
Agora que cheguei a casa de um dos concertos mais bonitos que já vi, ainda não caibo em mim. Eu estive com ela à mesma distância a que estou do ecrã do computador. Ela conversou connosco, comigo e com os meus amigos. E não falo de um "como te chamas" só para estampar o nosso nome no autógrafo e acharmos que foi muito simpática... ela gasta tempo com as pessoas.
Por muito grande que esteja a fila, ela está lá, e é a Sara que fala com as pessoas, não a artista que se vai mostrar aos fãs.
É autêntica, coisa que nunca tinha visto a este nível em mais nenhum artista.
De 0 a 5, merece claramente um 10.


«Balança na mudança, com esperança, flutuo balançando
feito criança. O nosso baloiço é...?
Uma trança de cabelo de uma deusa do Olimpo celeste
que a beleza sempre se manifeste
deixa-te levar, prometo a música vai te embalar
Sente a frescura, brisa doce
na cara: Energiza, Vivifica,
Positiva, saboreia o dia.»

(Isto sim, é fé.)

sábado, 24 de outubro de 2009

porto seguro

"Não tens escrito muito, Inês..."
Isto foi uma verbalização de algo que tenho vindo a repetir cerebralmente dia após dia. Mas não há vontade de escrever que resista quando se chega a casa com uma directa em cima, já depois da aula da manhã, e se repara que só se pode dormir uma hora porque temos aula de condução às cinco da tarde. Não há vontade de escrever que resista quando passámos um dia inteiro a berrar obscenidades até rebentar com a voz (literalmente). Não há vontade de escrever que resista quando acordamos três horas mais tarde do que o suposto e temos de fazer em uma hora aquilo que faríamos em três. Não há vontade de escrever que resista quando percebemos que temos milhares de trabalhos-barra-matéria-para-estudar e que andámos todo o santo tempo preocupados em "viver o espírito académico".
Mas afinal há, há vontade que resista, quando chegamos ao sábado à noite e percebemos que afinal as bases ainda estão ali. Que podemos berrar obscenidades, estrebuchar, dar em malucos, cair de cansaço, porque eles seguram-nos tudo. E que está cá o Abbá, para dizer o simples e banal "Eu estou aqui" que muda tudo.
Posso não ter tempo para nada, ou até usá-lo da forma errada. Posso querer mudar mundos que não são mudáveis e dar com a cabeça na parede muitas vezes. Posso magicar mil e uma formas de ser testemunho na vida de outras pessoas, e não resultar.
Mas tenho-os comigo, e há abraços que ficam e duram uma semana, um mês ou um ano.


São um porto onde descanso a âncora e me sinto em segurança. São um Tu que nunca me sairá dos lábios, ainda que nunca seja muito tempo.

Prioridades

Não sei transformar em palavras o que sinto. Estou cansada, preocupada e feliz. E também tenho medo.
A razão que consigo encontrar para isto é esta: ainda não ganhei rotina na minha vida. Isto, por um lado, é bom: nenhum dia é igual e vivo-o ao máximo; por outro lado é mau, porque ainda não aprendi a agarrar tudo, a ter controle sobre tudo - e isso faz com que deixe fugir partes que sempre foram imprescindíveis.


Estabelecer prioridades é tão difícil.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Parabéns e muitos anos de vida

Achamos sempre que já estamos suficientemente crescidos.
Já tenho 18 anos e já sou grande. Já cresci tanto. Agora já sou grande. Sou grande e sei muitas coisas, sei a vida toda de cor porque já vivi e senti coisas. Agora vou pegar no que sei e continuar em linha recta.
Mas não. Afinal não sei nada e tenho tudo para aprender. Afinal consigo aprender mais num dia só do que em semanas de vida. Afinal não parei e estou só no início de uma longa viagem.
Achamos sempre que já estamos suficientemente crescidos. Mas afinal a vida ainda tem muito para nos ensinar.
No dia 2 de Outubro de 2007, eu achava que sabia muitas coisas e que podia abrir um blog só meu. Abri.
Hoje, passados dois anos e mais alguns (bons) dias, percebo que no dia 2 de Outubro de 2007 eu não sabia nada da vida. Hoje já acho que sei, mas tenho a certeza que daqui a dois anos vou saber tanto mais, que vou pensar: no dia 16 de Outubro de 2009 eu não sabia nada.
E eu tenho muita treta, mas podia resumir isto assim: "Estou em permanente crescimento, e que bom que isso é".
Este blogue já está de parabéns há 14 dias, e eu esqueci-me dele. Nem uma vela para bufar nesse dia. Mas como diz o outro cujo nome não sei, "mais vale tarde que nunca"!
Que este blogue conheça muito crescimento, e que nunca acabe. Se um dia acabar, que as palavras se prolonguem pela vida e que não conheçam o dia em que eu já souber tudo.
É tão bom não saber nada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vida de universitária

O que é uma vida de universitária?
Eu antes achava que era faltar quando me apetecesse, porque não vinham aquelas cartinhas irritantes para casa a dizer que tinha uma falta a Sociologia no dia tal, que faziam o meu pai vir ao meu quarto qual pai-de-miúdo-delinquente: "Inês, andas a faltar às aulas?". "Não, pai, foi naquele dia em que o autocarro passou às 8h09 em vez de às 8h10". "Ah, 'tá bem. Mas vê lá, que não gosto que faltes às aulas".
Afinal não é bem isso. É estar dentro de uma sala sufocante sem janelas a ter algo chamado "Metodologias da Investigação" que nunca ninguém descobriu para que serve realmente; é ter quatro horas de Economia para chegar ao fim e perceber que as Empresas produzem e as famílias consomem; é ter uma disciplina chamada Teorias da Comunicação Social e achar muito ingenuamente que as tais teorias dizem todas a mesma coisa; é tentar arranjar um buraquinho no horário para pesquisar um artigo científico qualquer num computador da biblioteca que nem sabemos onde é.
E é ficar até às 8 num café de Cedofeita a cortar fitas azuis e a comer um croissant que custou 50 cêntimos. É procurar cadernos e botões azuis em todas as lojas da rua. É comer na cantina e virar um copo de água que cheira a sumo, parece sumo mas não é sumo por cima do tabuleiro. É usar uma t-shirt suja mas que vai entranhando histórias. É sujar o rabo e as unhas de terra molhada. É dar as mãos suadas e negras ao do lado que ainda ontem não conhecíamos. É sonhar ter uma capa colorida que não dá jeito nenhum mas é grátis e é gira. É saber as linhas de metro e de autocarro de cor e mesmo assim não demorar menos de uma hora a chegar. É chegar à porta daquele velho prédio amarelo e reconhecer caras e sorrisos. Como se fossem nossos desde sempre.
Vida de universitária até é boa. Porque se fosse fácil... não era vida.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O homem da biblioteca

Tirei dois livros pesados da estante: Atlas da América Latina e Atlas do Mundo. Abri cada um deles na página que se referia à Colômbia.

Estava a dar uma vista de olhos, e ele passou. “Precisas de ajuda?”.

Ele trabalha na biblioteca e já me ajudou uma vez com um trabalho de História. É um homem muito culto, tem sempre uma resposta na ponta da língua. É prestável como ninguém, e perspicaz como poucos. Fala muito dos filhos e dá-me os mesmos conselhos que lhes dá a eles.

Pedi: “Se me conseguir arranjar informação interessante sobre a Colômbia e as suas relações com a Venezuela, o Brasil, etc., ficava-lhe agradecida…”.

Ficou algum tempo a conversar comigo. Disse-me para ter cuidado com os temas que escolho para os trabalhos, para verificar sempre o material que arranjo para trabalhar. Que ele ajuda sempre no que puder, mas que nesta altura tenho que fazer caminho sozinha. Saí de lá com uma lista de sítios onde procurar informação.

Antes de sair, disse-me:

“Estás cansada, não estás? Nota-se que sim. Noto que estás desmotivada porque anda tudo a mil à hora e não estás a conseguir organizar-te. Não podes perder tempo! Tens aparentemente pouca coisa para fazer, mas tens que começar já, porque isso é só a aparência. Não deixes acumular, e pede ajuda sempre que quiseres. ”

Ele é só o homem da biblioteca. E conseguiu perceber-me melhor do que eu mesma.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

«En mi debilidad, me haces fuerte.»